segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O ESQUADRÃO

Estou convencido que, durante os mais de dezoito meses que a 3441 esteve na Neriquinha, devemos ter andado por locais que provavelmente nunca antes tinham sido pisados por brancos, fossem eles tropas ou civis.
O esquadrão foi um desses locais.
Não retenho exactamente como surgiu o nome, mas não andarei longe da verdade se disser que foi assim baptizado por ali ter sido localizada uma base inimiga enquadrada por um grupo de guerrilheiros. Esquadrão seria provavelmente a designação atribuída à formação, já que o termo não se enquadrava na estrutura do exército português.
Como é natural, não havia picada até lá e não teria sentido que houvesse. Normalmente as bases inimigas para além de móveis, estariam em locais tão distantes e inacessíveis que passariam despercebidas e por isso a salvo das investidas das nossas tropas.
De qualquer forma, a base foi detectada. Identificada a sua posição exacta logo foi preparada uma grande operação levada a cabo pela 3441 com o objectivo de desalojar os insurrectos e destruir as respectivas instalações. A operação, de considerável dimensão, implicou o envolvimento do grosso do efectivo da nossa companhia, incluindo mais de metade do meu pelotão então estacionado no Rivungo, um reforço da companhia de Mavinga e dois T6 da Força Aérea para o bombardeamento prévio.
Foi uma operação condimentada com episódios que marcaram aqueles que nela participaram, a começar pela autêntica aventura que foi o transporte até ás imediações do local, exigindo o necessário recurso a um guia que, conhecendo bem o trajecto, levou as berliets a corta-mato através de uma mata sem picadas ou caminhos e despida de pontos de referência.
Não participei nesta operação cabendo-me a menos ingrata tarefa de, com uma guarnição reduzida, garantir a segurança das nossas instalações do Rivungo já que o Capitão não quis dispensar o contributo do alferes Fausto.
Mas contaram-me que o assalto foi comandado pelo alferes Torres, à frente de um grupo de voluntários onde se incluía o doido do furriel Silva. Consta que, dada a ordem de ataque, após o bombardeamento prévio pelos dois T6, o grupo de assalto avançou decidido contra a base inimiga. O Silva aperrou a G3, descavilhou uma granada com os dentes e desatou a correr como um doido gritando:
-Ao ataque!!
Por sorte, os guerrilheiros não teriam condições de nos fazer frente. A posição estratégica do acampamento ter-lhes-á permitido detectar a aproximação da tropa com antecedência e optaram por desaparecer das imediações sem deixar rasto ou qualquer dos equipamentos que pudessem ali ter. A verdade é que o grupo de assalto irrompeu por entre trincheiras vazias sem encontrar vivalma ou o que quer que lhes pudesse fazer frente.
Incendiaram as cubatas, destruíram o que havia para destruir, retirou-se a tropa e com ela toda a parafernália de guerra, ficando de novo o local no mais completo sossego.
Passaram-se meses sobre a grande operação. Importava agora certificarmo-nos que a base inimiga não voltara a ser ocupada e se fosse caso disso, desalojá-los de novo do local.
Para a tarefa, foram destacados dois grupos de combate: o meu, com o alferes Fausto à frente e o do Alferes Correia. Só que desta vez sem a necessidade de apoio da Força Aérea. Apenas duas berliets para o transporte.
Saímos da Neriquinha bem cedo apinhados sobre as carroçarias desconfortáveis das viaturas, em direcção às pontes do Rio Cúbia. Aí chegados, em vez de se voltar à esquerda pelo caminho que levava ao Rivungo, seguiu-se em frente penetrando bem no coração da Savana por uma picada ainda desconhecida para mim, atravessando matas e chanas, ora lavrando areia numa marcha lenta feita gincana por entre as árvores, ora enterrando-se nos troços pantanosos que bordejavam cursos de água alimentados pelas chuvas persistentes da época, largando-nos finalmente, longas horas depois, nas imediações do objectivo, mas a uma considerável distância de segurança. Por razões óbvias o resto do percurso teria de ser feito a pé, com todos os cuidados e carregando aos ombros armamento e munições onde se incluía um morteirete e as suas pesadas granadas difíceis de transportar.
Aproximámo-nos da orla da mata sem sair da camuflagem propiciada pelas árvores que bordejavam uma extensa chana que se estendia à nossa frente. Algures por ali corria o Rio Dima, designação inscrita no mapa mas cujo caudal não se divisava por entre o capim rasteiro. Na outra margem, um pouco mais a sul, escondido algures entre a mata, estaria o nosso objectivo.
Atravessar ali era impensável. Se a base inimiga estivesse de novo guarnecida, seríamos vistos à légua e bastaria fazer tiro ao alvo no meio do descampado da chana, a que acrescia o risco de nos enterrarmos no pântano formado pelo Dima, cujo caudal por mais fraco que fosse, por ali correria certamente embora não se visse onde.
Discutiu-se a melhor forma de atingir o outro lado sem sermos antecipadamente detectados. Consultando o mapa, dava para ver que o Dima era pouco extenso. A sua nascente não seria muito afastada, se bem que nascente fosse um termo demasiado pomposo para a maioria dos rios que rasgavam a savana de forma irregular e desordenada. Este seria certamente um daquelas cujo curso era alimentado pelas escorrências da água das chuvas que se infiltrava por entre as areias porosas. Era quase certo desaparecer parcialmente durante a época seca.
Fosse como fosse, a prudência aconselhava a contornar o descampado, caminhando para norte de forma a rodear a linha que limitava a chana. Avançámos procurando nunca sair da camuflagem que as árvores propiciavam, seguindo em direcção oposta ao nosso objectivo, numa caminhada que parecia não acabar. Afinal aquela linha de água tinha o seu início bem mais acima do que o mapa parecia supor.
Após contornada aquela espécie de nascente constituída pela meia-lua que iniciava a chana despida de árvores que definia os domínios do Rio Dima, descemos pela margem oposta, apenas parando muito perto do nosso objectivo, quando a noite já quase se instalara.
Acomodámo-nos o melhor possível sob o peso da proximidade da base inimiga e procurei adormecer atormentado pela dúvida sobre o que nos esperava. Teria o inimigo dado pela nossa aproximação? É verdade, que durante todo o tempo, não houve sinais do que quer que fosse que o pudesse confirmar, mas: e se estivessem à espera que adormecêssemos?
O pessoal espalhou-se o mais possível, sem contudo perder o contacto uns com os outros, no meio de um silêncio absoluto. As latas da ração foram abertas com mil cuidados, nem um tilintar se ouviu. Acendiam-se os cigarros à socapa e sorvia-se o fumo debaixo do poncho para que a chama não nos denunciasse.
O dia “D” amanheceu frio e húmido, com uma ligeira neblina que se manteve até o dia clarear. Iniciaram-se os preparativos, recapitularam-se os planos, foram dadas as últimas ordens e cada um tomou o seu lugar de acordo com a estratégia definida. O Silva, como de costume, oferecera-se para comandar o grupo de assalto, constituído por um punhado de homens que arregimentou.
Fiquei a vê-los à medida que avançavam pela mata, sem hesitação, como se soubessem exactamente para onde ir, desaparecendo rapidamente das nossas vistas confundindo-se com a vegetação em direcção ao objectivo camuflado algures por ali um pouco mais abaixo.
Posicionado estrategicamente, o restante efectivo aguardava o desenrolar da operação, pronto para entrar em acção assim que se ouvissem os primeiros tiros. Passaram-se alguns minutos que pareceram uma eternidade sem que se ouvisse o que quer que fosse. O silêncio marcava o compasso das batidas descontroladas do coração, acompanhadas de um mal disfarçado tremor aumentado pelo frio desagradável da manhã. O dia ainda não clareara totalmente e os corpos entorpecidos pela noite mal dormida ainda não tinham tido tempo de aquecer.
Mas nada aconteceu. Lá da frente vinha a informação de que o local estava tão deserto como o resto da mata em redor. O silêncio foi quebrado, os nervos serenaram, voltaram os sorrisos e ouviram-se desabafos aqui e ali. Descontraídos mas ainda assim com atenção a tudo o que nos rodeava, avançámos continuando a rodear o local não fosse estarem emboscados algures à nossa espera.
Mas não. Ninguém nos esperava, nem ali nem mais longe. Na verdade era bem visível que por ali não passara vivalma nos últimos meses. Olhei à volta. O local, instalado estrategicamente num ligeiro declive, distava uns quinhentos metros do perímetro da chana, escondido entre as árvores e suficientemente perto de uma grande lagoa de águas cristalinas. As trincheiras, se bem que parcialmente assoreadas pela areia solta, estavam distribuídas desordenadamente, mas de forma a tocaram os esqueletos das cubatas queimadas e dispersas pelo terreno. Constituíam de facto uma eficaz protecção, mesmo ali à mão.
Sentei-me sobre um tronco avaliando o local. Parecia-me estranho e de certa forma desnecessário o trabalho que tiveram em escavar aquelas valas feitas trincheiras. De facto, quando os atacámos da outra vez, debandaram com antecedência suficiente e nunca mais ali voltaram. Trabalho inútil, pensei. A não ser que apenas servissem como protecção de recurso em ataques de surpresa.
Olhei em volta e imaginei o Silva, meses antes, a correr por ali acima, feito doido, com a granada na mão e cavilha entre os dentes. Se tropeçasse ou fosse atingido, a explosão da granada seria inevitável e mataria alguns dos seus companheiros. Talvez por isso, desta vez, foi mais comedido na forma como avançou. Sem grande alarido, com cuidado mas, ainda assim, de forma decidida, como se fosse algo a que já estivesse habituado a fazer.
Saímos rapidamente dali. Permanecer seria arriscado. A posição era conhecida pelo inimigo e a possibilidade de um bombardeamento à distância não podia ser descurada.
Avançamos para sul, patrulhámos as margens do rio e procuraram-se possíveis sinais da presença dos guerrilheiros. Apenas se encontraram carreiros mas quase cobertos pelas ervas, sinal evidente que a sua utilização era nula ou então esporádica.
Parecia óbvio que o local fora totalmente abandonado. Provavelmente tinham como estratégia não voltar a ocupar instalações que tivessem sido identificados pela tropa. Se era essa a estratégia, revelavam inteligência. Da nossa parte, cumprimos a missão obrigando-os a procurar outro poiso, mais longe, ou mais bem camuflado. Contudo, ficou-me uma espécie de certeza de que todo o trabalho, todo o cuidado colocado na preparação da primeira operação e o retorno ao local meses depois, desalojou os guerrilheiros daquele local, mas provavelmente não causou qualquer embaraço na sua logística e capacidades de resistência.
Mais descontraídos, descansados e inebriados pela beleza agreste do local, encetámos o caminho de regresso ao ponto onde seríamos recolhidos pelas viaturas. Mas nunca seguindo pelo mesmo caminho, seria penoso demais. Atravessaríamos o Dima a direito, mesmo sem sabermos ainda se era possível o seu atravessamento ou não. Parecia que sim, já que naquele local apenas se via o capim rasteiro da chana. Contudo ainda nos estava reservada uma surpresa. Já quase perto da outra margem, aquela que pretendíamos alcançar, a chana plana e transitável deu lugar a uma zona totalmente alagada com uma profundidade de água considerável embora com largura não superior a dois metros e pouco. Afinal, os turras não escolheram o local à toa para a instalação da sua base. Sabiam bem que o atravessamento ali, a direito, era complicado e moroso. Chegar às imediações das improvisadas instalações, vindo do outro lado, implicava um percurso curto mas difícil de vencer ou um trajecto seco, mas longo e penoso. Quer se utilizasse um ou outro, facilmente seríamos detectados com considerável antecedência. A suficiente para decidirem se seria melhor fugir ou resistir. Foi certamente o que aconteceu da primeira vez.
A travessia naquele local, contudo, já bem perto do lado de cá, acabou por ser divertida, Arranjou-se um tronco que serviu como ponte molha-pés e alguns aproveitaram para se refrescarem, despindo-se, entrando na água e ajudando um a um na travessia. O pior veio depois. As sanguessugas, abundantes no lodaçal, agarram-se firmemente às nossas pernas, obrigando a um trabalho de paciência para as arrancar.
O regresso transformou-se numa viagem quase interminável. A chuva abundante e persistente não nos deu tréguas, arrefecendo os nossos corpos encharcados e permanentemente sacudidos pelas irregularidades do piso. Quando finalmente atingimos as já familiares pontes do Cúbia, não obstante ainda a cerca de um par de horas do aconchego da Neriquinha, a sensação de alívio era óbvia. Dali para a frente era caminho conhecido e em menos de um nada estaríamos de novo ao abrigo do arame farpado. Cada bocado das nossas vidas passado na mata, enfrentando intempéries, dormindo à chuva e ao relento, algures numa hostil terra de ninguém, contribuía cada vez mais para transformar a Neriquinha num sítio onde se podia viver. Quase aprazível.
Um duche, uma refeição quente e uma cama, eram um luxo quando comparados com o desconforto dos últimos quatro dias.

15 comentários:

Anónimo disse...

Só por curiosidade, qual seria o presumível IN nessa região?

UNITA ou MPLA?

Cumprimentos, Antº Rosinha

Egidio Cardoso disse...

Não tenho a menor dúvida. Naquela zona imperava o MPLA.
Ouvia-se ali a rádio clandestina do MPLA, cuja locutora apelidámos de MARIA TURRA.
Personificava a face mais visível do nosso inimigo.

Anónimo disse...

"Maria Turra"... que nos apelidava de "Sapos da N'riquinha" tendo em conta que a companhia estava instalada numa chana...

Para o amigo Rosinha, a UNITA, naquelas altura operava mais a norte no paralelo do Luso e, no momento, combatia ao nosso lado contra o MPLA.

PC

Anónimo disse...

Em 1971 a UNITA, segundo um fax da PIDE para os chefes de posto e governo de Serpa Pinto fomos avisados os que trabalhavamos na Junta Autonoma de Estradas no Longa e Cuito Canavale, que andava por lá a UNITA.

Essa de a UNITA trabalhar para nós era um pau de 2 bicos muito afiados.

Quando se deu o 25 de Abril, o que se apresentou com tropas aramados em Serpa Pinto foi a UNITA, que não passavam de garotos com menos de 18 anos descalços vestidos com uns trapos e com pistolas metralhadoras pequenas com4 ou 5 balas cada.

Tropas do Chipenda apareceram mais tarde mas meia dúzia desarmados e com fardas novas iguais às nossas, e a falar francês.

Cumprimentos Antº Rosinha

Anónimo disse...

Caro Amigo Rosinha

Enquanto comandante da Companhia 3441 (N'riquinha - 5NOV71 a 12MAI73) recebia mensalmente os chamados SITREP'S (parte deles secretos - eram queimados imediatamente a seguir a serem lidos - com informação pormenorizada e verdadeira; portanto sem propaganda, na sua quase totalidade proveniente da PIDE) podendo, pois, garantir, que naquele período, não se registou qualquer movimento UNITA no Sector de Serpa Pinto, ou seja, Cuito Cuanavale, Mavinga N'riquinha, Rivungo e Luiana. A circunstância que refere da "tropa" UNITA que se apresentou em S. Pinto após o 25 de Abril, parece conformar isto.
A UNITA viria a implantar-se a sul de Mavinga, apenas após o 25 de Abril, tendo até mantido relações amistosas com alguns sectores políticos portugueses, lembrando o acidente de aviação sofrido por João Soares na pista de Mavinga.

A utilização da UNITA como força opositora ao MPLA, na zona a oeste do Luso - precisamente onde viria a morrer mais tarde - ocorreu no nosso tempo, tendo eu próprio, numa ida ao Luso, sido informado pormenorizadamente da situação.
Obviamente que se tratou de um mau momento da UNITA, que se aproveitou da circunstância e se ofereceu para combater o MPLA a troco de algum sossego naquela região por parte da UNITA e, por consequência, do MPLA, bem como algum apoio logístico e médico. A maior importância daquele "sossego" tinha a ver com o comboio e o imprescindível transporte de mercadorias. Durante todo aquele tempo não ocorreu qualquer ataque à linha. Ainda hoje há dúvidas se lhes fornecemos armas e, ou, munições. Há quem o garanta que sim e outros que juram que não. Permitindo-me opinar, acho que sim; a UNITA estava depauperada em todos os aspectos. E as munições, pelo menos, eram essenciais.
Julgo que esta situação se manteve até ao 25 de Abril, mas, garantidamente, enquanto estivemos na N'riquinha foi assim.

Lembro ainda um episódio curioso desse tempo, numa dessas minhas idas ao Luso.
Savimbi estava com uma terrível dor de dentes e solicitou a ida de um médico ao mato para o tratar.
Foi dada ordem para que tal fosse disponibilizado, tendo sido indicado um médico miliciano.
Este, informado da ordem... recusou-se, referindo: se se trata de ir assistir o inimigo e em tempo de guerra... que vá um médico militar...!
E assim foi mesmo. Foi um médico militar, que nem era dentista... A minha memória arrisca o nome do Major-doutor Pita.
O dr. Lacerda testemunhou isso e é bem capaz de se lembrar do episódio.

Aquele abraço ao Amigo Rosinha.
É sempre um prazer dialogar com alguém que pisou o mesmo chão que nós.

Um abraço

P Cabrita

PS
O Rosinha já viu as fotos do aquartelamento tiradas pelo G. Costa de helicóptero?
Voltamos à história antiga do saibro vermelho colocado na pista e na parada. As fotos tornam esse aspecto mais claro, tornando o contraste bastante mais evidente.

Gabriel Costa disse...

A 1ª vez que acompanhia foi ao Esquadrão, tive o "privilégio" de também ir, agarrado ao volante de uma Berliet. O condutor destinado, "adoecera" à última da hora. Foi na minha viatura que o "velho sekúlo", alojado no guarda lamas, dentro da grade rebenta-minas e sentado no saco de areia, nos levou direitos ao local, apesar de ser noite cerrada e chover como o diabo. Também foi dessa vez que o Furriel Leitão saiu para apanhar o Dango, que tinha soido abandonado pelo pai, que fugiu ao ouvir a tropa. Aconteceu também o "milagre" do mel, quando o velho guia me obrigou a parar, na vinda, para subir a uma árvore e retirar um pote de barro, que deixara ali anos antes. Que memória prodigiosa a daquele homem!

fmoreira disse...

Boa Noite,
A assistência médica a Savimbi designou-se "Operação Consulta" e desenrolou-se a 02DEZ72 sob comando do cap. António dos Santos Alexandre. O relatório médico foi assinado pelo Ten.Cor.Médico A.Pereira. Cumprimentos, Fmoreira

Anónimo disse...

Obrigado Caro Fmoreira.
Essa sua informação confere perfeitamente com o relato aqui deixado.
Apenas por curiosidade, e procurando testar esta minha depauperada memória folheando páginas com 40 anos de arquivo..., esse tal médico que acabou por ir prestar assistência ao Savimbi, Ten.Cor. Médico A. Pereira, não tinha como apelido também o nome Pita? Suponho que era Chefe dos Serviços Médicos Militares e tinha com ele a família; mulher e uma filha.
Mera curiosidade.
Um abraço e obrigado por participar neste nosso alfobre de recordações.

Pedro Cabrita

fmoreira disse...

Boa tarde Pedro. tenho de ir ver o relatório apresentado a ver se algo está referido para além do apelido Pereira.
Um outro assunto: Encontramo-nos a fazer a história do Batalhão 4611/72 que esteve no Subsector de M'Pupa, Cuando Cubango, de Nov72 a Dec73 e houve operações em conjunto com o Subsector do Cuito Cuanavale, há por aí relatos de missões onde forças do bat.Caç. 4611 tenham participado em conjunto?
Obrigado.

Egidio Cardoso disse...

Meu caro FMoreira
Se a memória não me atraiçoa e creio bem que não, o Batalhão 4611, foi o que nos rendeu, na Tentativa, no fim da nossa comissão.

Uma das companhais do 4611 (não me lembro qual) rendeu a nossa (C.Caç. 3441) nas Mabubas.

Ainda me lembro do nome de um dos Alferes, por ter sido meu colega de trabalho antes da Tropa. Apenas me lembro do apelido - Boavida

Anónimo disse...

Caro Moreira

Obrigado pela sua disponibilidade.
Relativamente ao que me pergunta é provável que tenha ocorrido alguma cooperação com a C.Caç 3442 que se encontrava no Cuito Cuanavale. Connosco não.
Estou também um pouco baralhado quanto à localização da MPupa. Estou a admitir que ficava para sul da nossa zona. Já agora dê-me uma referência.
A ser assim quanto à localização, houve um episódio que ocorreu nos limites SW da área da Companhia mas com os Flechas do Rivungo, onde tínhamos um destacamento, encontrando-se os Flechas sob o nosso comando operacional.

Ocorreu uma operação só com Flechas e às tantas apercebi-me que o Batalhão que fazia fronteira connosco tinha em marcha uma operação precisamente nessa área. Ora se ocorresse um encontro provavelmente não entrariam em cumprimentos e abraços...

Enviei uma mensagem "Relâmpago" a várias entidades e creio que a tropa que andava na área foi de imediato informada e recolheu a fim de evitar um qualquer recontro. Isto porque os flechas não usavam o rádio (ou usavam-no mal) e era assim difícil informá-los.
Não sei se isto terá ocorrido convosco; deixo apenas a referência.
Já agora uma curiosidade: é capaz de ser bisbilhotice a mais; mas como tem conhecimento tão próximo da "Operação Consulta"? Eu estava no Luso nessa altura e lembro-me de alguns pormenores contados pelos médicos.

Um abraço

Pedro Cabrita

fmoreira disse...

Boa tarde Egídio e Pedro,
Não fui militar do Bat. 4611, era muito novo para isso na altura, no entanto a minha relação com este Batalhão vem de Cabinda onde eles finalizaram a comissão na RMA. Possuo amizades nas várias companhias que o formaram e num dos convívios surgiu a ideia de escrevermos a história do Batalhão. Está muito avançada e chegou a altura em que estamos a atar as pontas soltas e a cruzar informação com os Batalhões/Companhias que com eles se cruzaram. Daí ter chegado ao vosso Blog. Mas já reparei que vocês sairam do Cuando Cubango no inicio de 1973 portanto praticamente pouca relação houve entre os vossos Batalhões. Mas decerto haverá uma ou outra operação em conjunto pois por vezes, na zona, as operações eram uma complicação pois intervinham os dois subsectores, o de M'Pupa e o de Cuito Cuanavale, subdivididos depois em agrupamentos e subagrupamentos, havendo companhias do 4611 que estiveram na mesma operação sem se encontrarem. Portanto é bem provável que episódios como os que relata o Pedro tenham acontecido e secalhar com consequências menos felizes. Para O Egídio: O Alferes Boavida era da 1ª.Ccaç. e realmente foi esta a Companhia que assumiu a missão depois nas Mabubas. A 2ª Companhia ficou no Ambriz, a 3ª. no Tabi e a CCS e o CMD na Tentativa. M'Pupa ficava para Sul, se localizar V.N da Armada, antes de se chegar a Xamavera, junto ao Rio Cuito. Em M'Pupa estava a CCS e o CMD. O 4611 rendeu um Batalhão de Cavalaria que foi o primeiro Batalhão a assumir a missão no subsector de M'Pupa. Gostava de trocar umas msgs convosco pois há algo que ainda não temos completo e penso que poderemos ajudar-nos mutuamente. Para o Pedro: O relatório médico consta da "Resenha Histórico Militar das Campanhas de Africa - 1961-1974"Vou enviar e-mail para o Blog. Pode ser? Abc

Anónimo disse...

Caro Moreira

Temos muito gosto na troca de informação sobre a Guerra Colonial, como se pode depreender deste blogue e da densidade de informação que contém.
O Egídio Cardoso é assim uma espécie de cronista-mor da C.Caç. 3441...

Para uma melhor troca de informações pode utilizar o meu endereço de email se o entender.

petruscabritas@gmail.com

Abraço

P. Cabrita

Anónimo disse...

O Fernando Moreira tudo sabe e não sabe nada.

Crocodilo disse...

http://www.dw.com/pt-002/r%C3%A1dio-liberta%C3%A7%C3%A3o-fala-o-paigc/a-17886415