Ensaiei diversos títulos e nem sei se este será o mais adequado. O facto é que o Bacalhau morreu. Como diz o brasileiro, morreu de morte matada, com estrondo, de tal forma que foi notícia de primeira página nos jornais de ontem e de hoje.
É verdade meus amigos, o Virgílio Cabral, o nosso Bacalhau, depois de ter vivido a vida da forma que escolheu e que quis, foi brutalmente assassinado. Depois de uma vida ao volante de um táxi pelas noites lisboetas, acabou por morrer em sua casa, apunhalado, sem que se saiba bem porquê e por quem.
Pode censurar-se o seu comportamento e a forma como levava a vida. Mas era um dos nossos e como tal será sempre recordado, sem recriminações.
Ficarão para a história, certamente, todas as suas bizarrias, o seu desenrascanço, a imaginação fértil que o levava a desencantar as formas mais inesperadas de arranjar uns dinheiros extra, sempre com umas pinceladas de desonestidade quase inofensiva de que, sem pudor, fazia alarde.
O Bacalhau nunca fez mal a ninguém, que se saiba. Estou capaz de apostar que não merecia sair deste mundo sem sequer se despedir. Não deixaram. Não lhe deram hipótese.
Descansa em paz.
