quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Notícias recentes do Rivungo

Na edição online de "O Jornal de Angola" foi publicada uma extensa notícia sobre o Rivungo, com data de 16 de Outubro (ontem). Refere o jornalista Lourenço Manuel:
O município do Rivungo está situado a 850 quilómetros da cidade de Menongue, a capital do Kuando-Kubango. É a última paragem antes do fim do mundo, tantas são as dificuldades de acesso. O isolamento cria dificuldades acrescidas às populações. Mas acaba de ser anunciado que foi adjudicada a empreitada de construção da estrada que liga a Mavinga. É uma página histórica na vida das populações da região, que devido ao isolamento secular foi chamada de “terras do fim do mundo”.
A circulação rodoviária entre a cidade de Menongue e Rivungo, passando por Mavinga, é quase impossível porque a estrada de areia atravessa uma floresta densa e fora dos trilhos podem estar minas.
Com uma população de 77.771 habitantes, distribuídos entre a sede do município, comuna de Chipundo, Luiana, Jamba e N’riquinha, o município do Rivungo desde tempos remotos que é uma zona de difícil acesso e segundo relatos de populares, foram as longas distâncias e o isolamento que levaram a chamar à província, “terras do fim do mundo”.
Chambinga, Lomba, Kúbia, Namoma, Vezi Vezi, Efo e Vukanga são “obstáculos” que ficam na rota de Menongue para o município de Rivungo. A viagem, mesmo com viaturas todo-o-terreno, leva dias, se tudo correr bem. Só para se ter uma ideia das dificuldades, uma viatura da Polícia de Guarda Fronteira está encalhada na zona do Efo há quase um ano.
A nossa reportagem foi ao Rivungo, mas o trajecto até Mavinga foi feito de avião. A partir daí, embarcámos em viaturas todo-o-terreno e com agasalhos reforçados porque à noite o frio é mesmo de rachar. A coluna avança com dificuldades pelos trilhos feitos na areia de uma estrada que nunca foi nada parecido com estrada. Os motoristas temem que se atravessem no caminho as manadas de elefantes que abundam nestas paragens.
A velocidade varia entre os dez e os 20 quilómetros por hora. A chuva caía sobre a picada e as viaturas enterravam-se. Mas fomos vencendo os obstáculos. Depois de 15 horas de viagem, a coluna chegou ao Rivungo, estava o sol a nascer. Apesar de ser ainda muito cedo, dezenas de pessoas vieram saudar-nos. É raro chegar gente de fora e todos querem saber o que se passa lá longe, na capital da província.


Para continuar a leitura siga este link ou recue quarenta anos no tempo lendo as diversas histórias publicadas neste blog que têm o Rivungo como cenário.

13 comentários:

Pedro Cabrita disse...

É desta que vamos ao Rivungo e depois vamos a pé à N'riquinha...

P.C.

Egidio Cardoso disse...

Lendo toda a reportagem, parece certo que a nova estrada não passará à Neriquinha. É dito que uma viatura da polícia está atascada há um ano no Efo (no nosso tempo chamava-se UEFO) o que significa que a estrada seguirá a linha do Cúbia passando perto do esquadrão.
Assim, parece que ir á Neriquinha será mesmo difícil

Pedro Cabrita disse...

Caro Egídio.
... o meu desafio era mesmo irmos a pé do Rivungo até N'riquinha...
Se bem me lembro, o malogrado Daniel (GE) fez uma vez esse percurso com a mulher (carregando esta uma trouxa à cabeça) em dois ou três dias.
Ora nós, nesta altura, precisávamos de quê...? .... dia e meio...?
Só estou com algum receio dos elefantes... tanto quanto contam as notícias do Rivungo.
Lol...!

Sempre bom recebermos notícias das "nossas terras". O meu saudosismo exacerba-se sempre que nos chegam sons do Kuando-Kubango. Não há solução para isto. Vai ser até ao fim.

A talhe de foice.
Venho colaborando com uma associação de solidariedade com a Guiné. Eles têm em armazém toneladas de material. Muito desse material (livros em especial) não segue por entenderem ser material que excede as capacidades/necessidades dos guineenses. São livros didácticos. (5º, 6º, 7º, 8º 9ºanos) abordando várias disciplinas.
Alguém conhece uma instituição que tenha uma actividade semelhante com a Angola?
Há por lá muito livro de ensino que poderia ter uma função bem melhor do que aquela em que se encontra, atulhado num canto do armazém.

Aquele abraço.
P. C.

PS
Mas eu ainda não perdi a esperança de lá voltar...
Recentemente um grupo de Almada fez uma incursão Às Terras do Fim do Mundo. Mostraram a reportagem na TV. Chegaram à Luiana. e à Jamba.
O Egídio viu? Conhece esse grupo?
Acho que já é a 2ª incursão que fazem.

Egidio Cardoso disse...

De facto vi a reportagem, mas já na parte final. O Gabriel estava a ver e telefonou-me. Entusiasmámo-nos só de ver a picada. Era noutro lado mas igualzinha às "nossas". Quando vi as viaturas atascadas, ainda comentei com a minha mulher que estavam a fazer mal o trabalho de desatascanço.
Lembra-se que ao fim de algum tempo éramos especialistas a desatascar viaturas?
Reparei que o grupo integrava funcionários da Câmara de Almada, mas não conheço ninguém

Pedro Cabrita disse...

Tem piada que tive reacção semelhante quando vi as viaturas enterradas e eles a tentarem continuar para a frente.e a assentarem o diferencial no chão.de areia.
Comentei cá para mim:
"Já vi este filme há umas dezenas de anos atrás....".
Mas se bem me lembro tínhamos um nosso alferes que era especialista em enterrar viaturas em terrenos alagados.
Constou-me; eu não vi nada...

Tenho o endereço do homem que promove estes safaris. Acho que se chama António Laranjo. Em tempos contactei com ele. Vou voltar a comunicar. Pode ser que tenham algo mais no futuro que nos interesse. Podemos oferecer-nos como pisteiros ou desatascadores... se for para as nossas bandas.
Contudo acho que estas viagens, não obstante alguns patrocínios, ficam muito caras.

Temos que pôr o nosso camarada Gabriel a organizar uma coisa destas. Serei o primeiro a aderir.
Podíamos intitular a viagem como "Em busca de Dango...!"

Vamos lá Gabriel.
Contamos com a sua influência.

P.C.

António Carvalho disse...

Tive noticias de Ninda, que recomeçaram as obras na via rodoviária que ligará Luso à Neriquinha, via Gago Coutinho (Hoje Lumbala Nguimbo) a desmatação já recomeçou no troço Ninda para o Chiúme, (Em 1974 só havia 12 kms em macadame de laterite para lá de Ninda)são cento e tal kms de alcatrão a inaugurar em 2015 quando chegarem à Neriquinha.

Egidio Cardoso disse...

Tendemos sempre a esquecer o percurso pelo lado norte.
Afinal, se bem me lembro, Chiúme e Ninda não estavam muito longe.
Uma estrada a ligar Ninda à Neriquinha, terá de ultrapassar uma série de chanas bem largas, especialmente a do Rio Lomba.
Enfim parece que o isolamento daquela região tem os dias contados

Egidio Cardoso disse...

Esquecia-me da chana maior, aquela que impedia a ligação por terra da Neriquinha ao chiúme: a grande chana do Cuando.

Pedro Cabrita disse...

Estou mesmo a ver qual é o interesse de todas essas estradas.
Pobres gazelas, pobres palancas negras, pobres elefantes...
Lá se vai o sossego e a beleza selvagem.
Ou será tudo para dar conforto às gentes do Rivungo...?!?!

P. C.

Egidio Cardoso disse...

Bem visto.
Sabe-se que hoje, mesmo com as condicionantes que resultam da ausência de estradas, há quem, utilizando meios sofisticados, faça surtidas de caça por aqueles lados.
É, parece que está à vista o fim do sossego naqueles terras.

Antº Rosinha disse...

Já andam notícias na internet de jornalistas, que se cultiva nas terras do fim do mundo entre Menongue e Cuito em demarcações de chanas, arroz de produção chinesa.

Não vai haver palanca que resista.

Egidio Cardoso disse...

Caro amigo Rosinha
Agora é que fiquei preocupado.
Chineses, são piores que marabunta.
A ser verdade, não serão apenas as palancas a desaparecer.

Pedro Cabrita disse...

Portanto estamos à beira de uma alteração substancial na designação daquelas paragens.

Dentro de pouco tempo as Terras do Fim do Mundo passarão a designar-se ... As Terras do Novo Mundo...

Dúvida:
- Será que não dava para para recuperarmos as instalações da Companhia e instalar lá um resort qualquer...?

PC