A dieta alimentar da população da Neriquinha, era limitada.A agricultura, meramente de subsistência, resumia-se à plantação de dois cereais: o milho e uma espécie de sorgo por ali chamada de massango. Transformados artesanalmente em farinha, cozinhavam uma papa de aspecto duvidoso que constituía uma dieta alimentar muito pobre.
Tirando isso, a mata fornecia tudo o mais.
A caça constituia a única fonte de proteínas. Mas, não obstante ser abundante na região, os métodos rudimentares de caça não garantiam muita frequência no abastecimento. Por isso, não eram esquisitos
Qualquer animal que conseguissem apanhar virava refeição, como foi o caso do hipopótamo que resolveu invadir as lavras da Neriquinha Velha.
Frutos silvestres não abundavam, mas as árvores do MABOCO cresciam por ali, disseminadas pela mata. Sabiam onde estava cada uma e o primeiro a chegar colhia tudo o que podia transportar
3 comentários:
Não resisto a comentar a última foto de mais esta página de recordações que nos traz o Egídio Cardoso.
Trata-se de um nativo de N'riquinha que regressa do mato onde foi recolher frutos (Maboco) para se alimentar.
A salientar:
- A zagaia, arma de defesa contra qualquer animal que pudesse investir; arma constituída por um pau direito recolhido na mata e uma ponta metálica, certamente peça de uma Berliet, forjada depois numa forja rudimentar, onde os foles eram feitos de pele de animal (já mostrada neste blogue);
- Saco de transporte (certamente de farinha ou outros géneros da tropa), mais a lata, igualmente encontrada na lixeira militar;
- O Javite (machado), com a parte metálica certamente forjada também de alguma peça de viatura militar;
- Pau de pousar num ombro, mas com o segredo, quase imperceptível, de meter o cabo do javite por baixo do pau e dividir o peso pelos dois ombros, um estratagema milenar;
- E por fim o calção, restos de um camuflado, ou "camuflado" por múltiplas nódoas de uma luta diária pela sobrevivência, que, noutros tempos, na ausência da proximidade da tropa, seria certamente em pele animal, por impossibilidade de frequência de um "Chiado" erigido no quartel apenas nos anos 69 ou 70.
Eis a imagem perfeita do nativo de N´riquinha, cujo capim esconde - por arte do fotógrafo, ou contexto puro paisagístico - os pés descalços, ou nus, como nua era a alma, a vida e os preconceitos de gente que vivia no seio de uma guerra, mas sempre na maior harmonia com a natureza, adaptando-se a ela tanto quanto a guerra o permitia.
(IN - A minha memória...)
P.C.
Meu caro amigo, até parece que adivinhou: o texto que já tenho pronto para publicar no dia 01 de Dezembro, é exactamente sobre o CHIADO.
É que, embora não exactamente da mesma forma, ali trato algumas das coisas que refere.
Afinal, sem nunca termos falado sobre estes hábitos, aquilo que então registei e que a minha memória ainda preserva, não é diferente.
Um abraço
Pois meu Caro Egídio.
Ocorre que andámos os dois nesta mesma escola...
Logo... é natural que se cruzem as memórias...
Abraço
P. C.
Enviar um comentário